terça-feira, 22 de setembro de 2015

Escritores angolanos em Berlim

Os escritores angolanos José Luís Mendonça e Sónia Gomes participaram no Festival Internacional de Literatura de Berlim, que decorreu de 9 a 19, na Alemanha.

Sónia Gomes apresentou o seu romance “A Filha do General”, onde expõe alguns problemas da sociedade luandense, nomeadamente as suas contradições sociais.

“O Reino das Casuarinas”, romance histórico baseado em factos reais, é a obra que José Luís Mendonça apresentou em Berlim. Mendonça criou sete personagens, inspirados em pessoas que conheceu em Luanda, para desfazer mitos de um dos momentos mais marcantes de Angola, os acontecimentos de 27 de Maio de 1977. “Uma história que eu criei para contar a realidade da guerra, da política e da discriminação no tempo colonial", disse o escritor em entrevista a Voz da Alemanha.

A presença dos escritores angolanos no Festival de Berlim enquadra-se no programa da “Promoção de Todos e Para Todos”, tendo em conta a internacionalização da literatura angolana, segundo a União de Escritores Angolanos.

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Além de apresentarem as suas obras, os escritores participaram em encontros literários com mais de 150 autores de todo o mundo, bem como junto de estudantes alemães, abordaram  o panorama dos “ 40 anos de Literatura”,  numa Angola pós-independência.


O festival, um dos mais prestigiados da Europa, dá espaço  a publicações de novos autores e a autores à margem do circuito comercial e do marketing dos grandes editores e livreiros.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Teatro angolano em Cabo Verde

O espectáculo “O Preço do Fato”, da companhia de teatro Pitabel, representa o Angola no Festival Internacional de Teatro do Mindelo (Mindelact), que abre esta sexta-feira e decorre até ao dia 27, na Ilha de São Vicente, Cabo Verde, onde exibe a tradição angolana.
Além dos espectáculos, são realizados seminários sobre outras realidades artísticas, que, para o encenador da Companhia de Teatro Pitabel, permitem conhecer melhor as artes cénicas e as realidades sociais dos representantes dos países convidados.

“É uma forma de medirmos o tipo de teatro que temos feito em relação ao de outros países, porque desta forma podemos saber se os outros grupos também exploram as suas realidades sociais ou as tradições das suas regiões nas artes cénicas”, disse Adérito Rodrigues.

“O convite é um reconhecimentodao trabalho que o Pitabel tem feito no campo do teatro, em festivais nacionais ou internacionais de artes cénicas”, assinalou. O festival é uma referência em África, por promover o teatro e a descoberta de actores talentosos a nível dos países de língua portuguesa. 

O Mindelact, disse, serve ainda para criar novas parcerias e aumentar o intercâmbio entre os grupos convidados. “É uma forma de explorar singelamente o diálogo entre os participantes e apostar na internacionalização do Pitabel”, explicou.

A companhia já participou, com a mesma peça, no Festival Internacional de Teatro da Língua Portuguesa (FESTLIP) no Rio de Janeiro, em 2014, o que motivou o convite do presidente da Associação de Mindelact, Daniel Monteiro.

“O Preço do Fato”

O espectáculo “O preço do Fato”, explicou o encenador, foi escolhido para ser apresentado no festival, por chamar a atenção das pessoas para as contradições entre a tradição e o modernismo num país em desenvolvimento. O Pitabel, que aparece como estreante no Mindelact, leva em cena o drama de Cristina, uma jovem de 20 anos, natural de Mbanza Congo, que cresce em Luanda e vê a sua relação amorosa em risco devido à tradição. “É um choque muito habitual em vários países, particularmente os muito enraizados nas suas tradições”, assinalou o responsável.

Fundada em Luanda, a companhia Pitabel já conquistou o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Teatro, e o Prémio de Teatro Cidade de Luanda. Agora, a companhia pretende dinamizar a sua actividade artística.

jornal de angola

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Paulina Chiziane questiona papel das igrejas

Por Frederico Jamisse
Dirigindo-se aos presentes  na cerimónia de lançamento do seu mais recente livro Ngoma Yethu – O Curandeiro e o Novo Testamento, escrito conjuntamente com Mariana Martins,  Paulina Chiziane falou sobre África no contexto global, apontando as falhas recorrentes que encaminham o continente ao atraso na evolução. A obra foi lançada há uma semana em Maputo.
“A libertação dos africanos começa na Academia, na coragem de assumirmos quem somos e podermos escrever a nossa história. Nos Estados Unidos, Brasil e outros países, há bibliografias sobre as tradições deles. Por isso, eu escrevo hoje pensando no amanhã”, explica Chiziane.
Paulina Chiziane questiona o papel da Igreja, especificamente, a crescente tendência de usar o nome de Deus para ludibriar as sociedades. “Em relação ao Cristianismo, vejo hoje um Pastor dizendo: cara não toca Timbila. Isso é um instrumento do Diabo. Venha para minha Igreja tocar Piano”, afirma Chiziane.
Ela contou outro episódio fazendo referência a uma moça grávida que  ao sair manchas na cara, sua mãe convida-a para ir ao Hospital. “Ela recusa ir ao Hospital dizendo que o Pastor untou a ela com azeite na Igreja.  Só que depois desmaia e quando vão para o Hospital, ela perde a vida porque o bebé dela morrera há muito tempo. Portanto, as igrejas estão a pôr em questão o Hospital”.
Paulina Chiziane também questiona a passividade da sociedade perante factos inaceitáveis. “ Que se faça a publicidade, mas que não induzam a sociedade em erro e levem as pessoas a interromperem tratamentos delicados  no Hospital.  As Igrejas novas no nosso país são agressivas. Usam o nome de Cristo para tirar a coisa do outro”.
A escritora lançou um desafio afirmando estar pronta para ministrar um curso bíblico aos Pastores das Igrejas e aos curandeiros. “Assim, eles poderão aprender aspectos culturais e integrarem a tradição africana na sua evangelização. A Ásia nunca negou sua tradição e hoje está evoluída”.
Chiziane lembrou alguns dissabores no percurso da escrita do livro. “Quando estava a escrever e cruzava com as pessoas, dizendo que estou a preparar um livro sobre Curandeiros, alguns diziam: não faça isso. Escreva sobre combatentes e outras coisas.  Mas para mim, todo este trabalho de ir às raízes ouvir as pessoas que lidam com as questões tradicionais, para mim foi muito apaixonante e acredito que vai contribuir para uma nova visão da moçambicanidade”, disse.
Com  mais de 300 páginas, a obra  estabelece um diálogo entre as religiões tradicionais africanas e o cristianismo. Analisa  a relação entre o curandeirismo e o Novo Testamento, assim como debate a contribuição das tradições no desenvolvimento das religiões universais. 
 Por Quem Vibram os Tambores do Além é o título do livro que Paulina Chiziane escrevera antes. “As pessoas não acreditavam que o curandeiro tinha sabedoria. Mas a mcel (companhia moçambicana de telecomunicações)  me acolheu e financiou o trabalho. Devido ao sucesso desta obra tive a coragem de voltar a trabalhar novamente com uma curandeira, para aprofundar outras questões  e a mcel de novo contribuiu para que o livro “Ngoma Yethu” seja acessível e recebido pelo povo”, afirma a escritora.
Paulina Chiziane iniciou a sua actividade literária em 1984, com contos publicados na imprensa moçambicana.  O  seu primeiro livro foi “Balada de Amor ao Vento”, editado em 1990, e que a tornou na primeira mulher moçambicana a publicar um romance.

jornal domingo

Acervo de Malangatana apresentado em Maputo

O acervo artístico digital do pintor Malangatana Valente Ngwenya, falecido a 5 de Janeiro de 2011 em Matosinhos, Portugal, foi apresentado há uma semana na cidade de Maputo.
O acervo, intitulado “Malangatana: Dever de Memória”, cuja apresentação se enquadrou no âmbito das actividades comemorativas dos 20 anos da Universidade Politécnica, foi organizado pela Fundação Mário Soares, e integra 1600 fotografias e 550 reproduções de obras do artista.  
A organização do acervo foi solicitada por Malangatana, seis anos antes de falecer, em 2005, tendo a Fundação Mário Soares delegado, para o efeito, uma equipa, à sua casa, no bairro do Aeroporto, onde se localiza a Galeria Museu Nloyasi.
Na Galeria Museu Nloyasi, durante 15 dias, foram feitas 345 reproduções de obras de arte tais como pinturas, bordados, desenhos, gravuras, tecelagem, esculturas, cerâmica, fotografias, entre outras. Igualmente, foram fotografadas outras obras nas cidades de Maputo e Lisboa.
Para Alfredo Caldeira, Administrador do Arquivo e Biblioteca da Fundação Mário Soares, a importância deste acervo reside no facto de as pessoas poderem aceder, estudar e interpretar os documentos, obras e fotografias deixadas por Malangatana.
Narciso Matos, Pró-Reitor da Universidade Politécnica, considerou que a apresentação deste acervo é sinónimo de exaltação a Malangatana que, em 2007, recebeu, desta instituição de ensino superior, o título de Doutor Honoris Causa em Artes, Comunicação e Linguagem.
“É importante sabermos exaltar os grandes homens da nossa história, como é o caso do pintor Malangatana. A Universidade Politécnica já o tinha feito, em 2007, quando lhe atribuiu o título de Doutor Honoris Causa e, hoje, junta-se a esta iniciativa”,referiu o Pró-Reitor.
A cerimónia contou com a presença de filhos de Malangatana. Mutxini Ngwenya, seu filho mais velho, afirmou, na sua intervenção, que o acervo vai contribuir para que o artista “continue a contar os seus mais profundos sonhos e servir como referência para os que sempre amou: crianças e jovens”
domingo

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Acordo para recuperação de património histórico angolano

 
Um acordo de cooperação que visa a recuperação, preservação e divulgação dos monumentos e sítios históricos localizados no Corredor do Kwanza, foi assinado no fim-de-semana pelo Ministério da Cultura, o Governo do Kwanza Norte, o Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza (Gamek) e a Odebrechet.

O acordo estabelece que o Ministério da Cultura e o Governo do Kwanza Norte têm a responsabilidade de fornecer informações escritas, cartográficas e fotográficas, bem como aprovar, coordenar e acompanhar as acções visando a identificação do património histórico, arquitectónico, arqueológico e cultural existente na região de Lauca.

Devem também identificar, documentar e proteger os bens culturais catalogados, bem como desenvolver trabalhos de investigação dos bens patrimoniais e tornar público os seus resultados. O acordo foi assinado no âmbito da realização da 6ª edição da Feira do Dondo, que encerrou domingo na sede do município de Cambambe.

Numa antevisão dos futuros resultados do acordo, a Fortaleza de Cambambe, um monumento histórico e cultural, está a ser reabilitada, numa acção conjunta do Ministério da Cultura e da empresa brasileira Odebrechet.

Esta fortificação foi erguida pelo exército português em 1604, como ponto de apoio avançado à penetração e conquista do interior do território angolano pela via do rio Kwanza, o maior do país. Além de materializar a presença militar portuguesa, a fortaleza tornou-se num entreposto de mercadorias e de escravos capturados na região, onde aguardavam a sua transferência para o continente americano.


As ruínas de Cambambe foram classificadas como Monumento Nacional, através do Decreto Provincial n.° 67, de 30 de Maio de 1925, na era do domínio colonial português.

jornal de angola

Livro retrata primeira elite colonial em Cabo Verde

Iva Cabral lança livro em Santa Catarina
O livro de Iva Cabral, “Primeira Elite Colonial Atlântica- Dos Homens Honrados Brancos de Santiago à Nobreza da Terra”, foi lançado em Assomada, este sábado, 12 de Setembro, data simbólica escolhida propositadamente pela escritora.

“O lançamento em Santa Catarina foi propositado. Para mim é um prazer estar na terra dos meus pais, da família do meu pai, onde ele viveu, e na minha terra”, afirmou a autora do livro Iva Cabral, na data em que se celebra o 91º aniversário do seu pai, Amílcar Cabral.
Para o apresentador da obra, António Correia e Silva, “não há lugar mais apropriado no país do que Santa catarina para celebrar a data do nascimento do pai da nossa nacionalidade, Amílcar Cabral”.
É de realçar que Amílcar Cabral passou a sua infância em Santa Catarina, mais concretamente em Achada Falcão. “Estamos de certo modo no concelho da infância de Amílcar Cabral, mas também num tempo que lembra Amílcar Cabral pela chuva que abençoa aqui o nosso lançamento”, explicou António Correia e Silva, ministro do Ensino Superior.
A obra de Iva Cabral tem como objectivo dar a conhecer aos Cabo-Verdianos a investigação e o conhecimento da autora sobre o povoamento e o início da sociedade cabo-verdiana. Pretende demonstrar, nomeadamente, como é feita a passagem da elite colonial, endinheirada e nobre, mas que constituía uma minoria no arquipélago, para uma elite cabo-verdiana endógena. A nova elite, a quem a primeira vai transmitir os seus bens, era uma elite mestiça, que veio a ser chamada de ” brancos da terra”.
A “Primeira Elite Colonial Atlântica” trouxe uma nova perspectiva, pois “permitiu ver de perto essa elite. Antes dela não havia fontes, não havia condições, informações para o ver. Tínhamos informações dessa elite evidentemente, mas em documentos amplos que falavam das leis do reino, mas o facto de ela [a autora] se ter baseado muito em documentação do cartório, que regista contratos de casamentos, heranças, legitimação de filhos, permitiu chegar perto desta elite. Isso só se pode ver quando se tem uma documentação mais fina”, disse ainda António Correia e Silva.

A apresentação da obra de Iva Cabral, filha de Amílcar Cabral, decorreu nos Paços do Concelho de Santa Catarina, perante uma sala cheia de professores, investigadores, entre outros.

expresso das ilhas

Nova antologia de poesia moçambicana

“Outras Vozes de Moçambique” é o título da nova antologia de poesia lançada, recentemente, em Maputo, organizada pelos escritores Lucílio Manjate e Sangare Okapi.
Trata-se de uma obra que resulta de um debate realizado em 2003, em torno de uma suposta morte da literatura moçambicana. O debate convocou diversas sensibilidades a pensarem nas possibilidades de a referida morte ser decretada e nas motivações de tal “certidão de óbito”.
Volvida uma década desde a colocação da tese, os organizadores decidiram expor as obras e os poetas, uns revelados um pouco antes de se iniciar o debate, outros que se revelaram depois da colocação do mesmo.
A antologia apresenta 14 poetas moçambicanos representativos da que se pode chamar nova geração de escritores moçambicanos. Trata-se, portanto, de uma oportunidade de entrar em contacto com a escrita dessa nova geração, sobretudo no que à poesia se refere.
jornal notícias