sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Arte e cultura para crianças de rua de Maputo

 
Integrar as crianças de rua, através das artes e cultura, é um dos objectivos de um projecto que será implementado, até Janeiro próximo, pela Casa da Cultura do Alto Maé, cidade de Maputo.
A iniciativa, cujo nome ainda não foi escolhido, pretende juntar crianças de rua para aprenderem técnicas de música, teatro, pintura, dança e outras expressões artístico-culturais de modo a terem uma opção de sobrevivência.  
Para tal, a Casa da Cultura do Alto Maé já possui instrumentos necessários para estas actividades, bem como coordenadores e voluntários prontos para ir à rua e juntar os petizes pela arte e cultura.
O director da Casa da Cultura do Alto Maé, Jorge Langa, disse que a expectativa é que as crianças beneficiárias vejam a iniciativa com bons olhos, se sintam integradas e abracem uma arte para que sejam úteis à sociedade.
“As crianças, que têm a rua como ‘habitat’, possuem um talento e é necessário descobrir e explorar. Esperamos ensinar-lhes arte para a sua profissionalização e que consequentemente consigam ter rendimentos com o trabalho que possam fazer”, afirmou o director.
“Temos instrumentos musicais, de pintura, por exemplo, também temos coordenadores e voluntários prontos para ir à rua e desenvolver esse trabalho”, reiterou Langa.
Por sua vez, Zeca Uamusse, professor de música na Casa da Cultura do Alto Maé, que aceitou trabalhar nesta iniciativa, disse que é preciso incentivar e fazer com que essas crianças se interessem pelo teatro, música e pintura.
“Trata-se de crianças iguais a todas as outras e que, no entanto, precisam de maior atenção e acompanhamento para poderem estar em condições de ter uma opção para deixar as ruas”, afirmou Uamusse.
A Casa da Cultura do Alto Maé é uma instituição que desenvolve actividades culturais com objectivo de formar crianças e jovens em iniciação artística nas áreas de teatro, música, danças tradicionais, entre outras actividades.

Começou a funcionar oficialmente em Outubro de 1978, sob orientação das estruturas governamentais, tornando-se na primeira do género no país. Mesmo com as dificuldades que afectaram o seu funcionamento nos últimos anos, a instituição continua a ser um dos pilares da movimentação cultural do país.
jornal notícias de maputo

Akokoto: ritual do planalto central angolano



O respeito dos túmulos dos reis e sobas, muito comum na região do Huambo (planalto central angolano), é um ritual dos Akokotos pouco divulgado, correndo o risco de desaparecer.

Trata-se de um ritual realizado pelas autoridades tradicionais quando buscam paz, sabedoria e prosperidade. A tradicional cerimónia dos Akokotos, que implica a matança de um boi, cabrito ou galinha, e a oferenda de bebidas alcoólicas, consoante o impacto do que se busca, é realizada principalmente na época de cacimbo.
Segundo o historiador angolanoVenceslau Casese, Akokoto, expressão que na língua nacional umbundu significa caveira, é parte da cultura do povo do Huambo e dentro da perspectiva antropológica e religiosa desempenha um papel muito importante na preservação da crença e espiritualidade.
Venceslau Casese afirmou que nos reinos do planalto central as cabeças das pessoas que se notabilizaram, sobretudo dos soberanos e sobas que deixaram honra, memória e história, não são enterradas, mas sim conservadas nas encostas das montanhas ou em tabernáculos (etambos), locais chamados de Akokotos.
“Temos a crença que aqueles que morreram continuam ainda vivos, mas de uma forma diferente, e têm influência na vida das pessoas, dada a vivência sabia e exemplar que tiveram, daí a importância de serem preservados no tempo e na história, segundo a religião”, argumentou.
Informou que nos momentos de necessidade e calamidades as autoridades tradicionais acorrem a estes locais para suplicarem aos antepassados as necessidades das comunidades.
“Geralmente encontram respostas, porque este ritual faz parte da fé ou dimensão antropológica e espiritual do homem, que deve ser respeitado pela ciência e por todos”, defendeu.
Na opinião do historiador, tendo em conta o seu significado histórico e importância cultural, este ritual deve ser mais divulgado,  no contexto da campanha de resgate dos valores cívicos e morais da sociedade.
"Tal divulgação deve ser feita nas instituições académicas, nas comunidades em geral e nos órgãos de comunicação social, através de palestras, conferências e debates", acrescentou.
Na província do Huambo, a tradição dos Akokotos mantém-se até aos dias de hoje, com grande incidência nas ombalas do Huambo, Bailundo e Chicala-Cholohanga.

angop






sábado, 5 de dezembro de 2015

Angola internacional fashion

Angola Internacional Fashion abre hoje

A 3ª edição do Angola Internacional Fashion Show começou ontem, sexta-feira, em Luanda, reunindo num 20 estilistas angolanos e estrangeiros.

O concurso, promovido pela Dinélia Eventos, visa promover a criatividade dos estilistas angolanos e criar sinergias entre os criadores, promotores, modelos e consumidores.

Além do desfile de moda, a 3ª edição do Angola Internacional Fashion Show (AIFS) contará com as actuações de Yola Semedo e de Gabriel Tchiema, tendo também momentos de poesia e de dança. Segundo o director, Daniel Paulo, todas as condições estão criadas a fim de superarem as anteriores edições.

o país (angola)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Estilista santomense em destaque em Londres

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Com a marca “Pure  L ´amour”, a estilista santomense Heuritshi Nersy Pitra e a iraniana Sahar Saghi,  estão a conquistar o mercado londrino com destaque para as várias minorias étnicas que formam aquela sociedade multicultural europeia.

«Temos como principais clientes, árabes, judeus e nigerianos. Mas também temos alguns clientes da África do Sul, Angola, Namíbia e, naturalmente, ingleses. Esta é a vantagem que a Inglaterra tem. É um país multicultural», afirmou Heuritshi Nersy Pitra, em entrevista ao portal de notícias Téla Nón.
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“Pure  L ´amour”, é obra de arte de criação iraniano-santomense  que tem desfilado em vários pontos da moda na cidade de Londres.  
Para já “Pure L´amour” é uma marca que realça o estilo feminino. Mas, Heuritshi Pitra e  Sahar Saghi, duas estilistas ligadas pelo amor a costura e a moda, prometem abrir uma linha “Pure L´amour” para homens.
Um estilo que cresce e conquista o público. «As encomendas estão a aumentar cada vez mais. Actualmente reforçamos a equipa com mais duas costureiras, porque seria impossível entregar as encomendas a tempo sem ajuda delas. O nosso objectivo é criar uma equipa forte para dar conta do recado», acrescentou a estilista santomense.
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Pitra, nascida em S.Tomé há 32 anos, estudou estilismo na Casa Pia e modelagem na Magestil em Lisboa. Após o curso, trabalhou, durante três anos, como modelista numa fábrica de vestuários em Portugal. Em 2008 mudou-se para Londres, onde fez uma licenciatura em Gestão Internacional e Administração. Enquanto estudante da Middlesex University dedicava-se a costura em part-time.
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Em Junho de 2015 venceu o desafio da formação em administração, mas o destino jamais a desligou da moda e da costura.
Hoje trabalha a tempo inteiro na realização da sua arte. «Depois de terminar a licenciatura abri o meu próprio negócio como estilista em parceria com a Sahar Saghi», disse, garantindo que o futuro passa pelo crescimento no mundo da alta-costura e da moda. 

tela non 


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Novo livro sobre massacre de Wiriamu


 
“Anatomia de um massacre”, é o que retrata o novo livro do historiador de origem moçambicana, Mustafah Dhada, que aborda o massacre e como viviam as pessoas de Wiriamu.
O autor diz que é "uma oportunidade" para “o povo português” saber o que aconteceu e para o Estado português reconhecer publicamente o que se passou.
É tão pouco dizer que Mustafah Dhada é o nome de um historiador nascido em Moçambique e que o massacre de Wiriamu é o objecto de estudo sobre o qual escreveu um livro que foi lançado na semana passada no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
Dizer apenas isso esconde o facto de este professor catedrático de História da California State University ter passado quase um ano no terreno a reconstituir o massacre de pelo menos 385 pessoas e de, por causa do trabalho de campo, ter acabado por ter manifestações de perturbação de stress pós-traumático. Viu-se obrigado a receber ajuda psicológica e, ainda hoje, lhe custa estar como agora, “sem uma parede atrás". Diz: "Sinto-me desconfortável, desprotegido. Ou então quando oiço gritos de crianças e pessoas a chorar. Tenho de me afastar.”
Depois de acabar de escrever o capítulo onde tentou reconstituir como era a vida das cinco aldeias afectadas antes do massacre, teve um ataque cardíaco. "O meu cardiologista aconselhou-me a escrever sobre coisas mais felizes”, diz a sorrir.
Mais de quarenta anos depois de, em Londres, se ter cruzado com um jovem jornalista inglês, Peter Pringle, que viria a dar a conhecer ao mundo a história do massacre num artigo do jornal The Times, concretizou a missão de uma vida – acaba de lançar um livro que considera ser “razoavelmente definitivo”: The portuguese massacre of Wiriyamu in colonial Mozambique, 1964-2013 (editado pela Bloomsbury), e que espera venha a ser traduzido para português.
O prefácio da obra, lançada na semana passada, é do jornalista inglês, que escreveu o artigo nas vésperas da visita do então chefe de Governo Marcello Caetano a Londres, acabando por contribuir para a contestação e queda do regime, afirma. A história foi inicialmente denunciada por missionários estrangeiros a trabalhar na área de Wiriamu.
Dhada diz que escreveu este livro “para o povo português, para os seus políticos”, na esperança de que se venha a dizer no Parlamento português e a deixar escrito num documento oficial: Wiriamu existiu, na manhã de 16 de Dezembro de 1972 houve tropas portuguesas que, a mando do Estado português, mataram pelo menos 385 pessoas que ele se esforçou por nomear (lista de vítimas em baixo), ficando por contabilizar os que foram mortos na “limpeza” dos três dias seguintes e durante os interrogatórios.
A sua investigação de décadas provou que este não foi “um acto de excesso de poder de alguns indivíduos, foi feito em obediência a ordens de um regime e do estado português. Este massacre foi planeado e executado como planeado”. Não pode, portanto, ser comparado, por exemplo, com um massacre como de My Lai, na guerra do Vietname, que “não foi autorizado pelas altas esferas militares [americanas]”.
O professor de História Mundial e Estudos Africanos, radicado nos Estados Unidos há mais de 20 anos, diz ainda que, no regime colonial português, Wiriamu pode parecer excepcional no regime colonial português mas não foi. Antes deste houve outros massacres – em Moçambique fala do de Mucumbura – depois dele no de Inhambinga, que ele chama de “o último banho de sangue antes da saída [dos portugueses]. Morreram 200 aldeões, alguns pendurados pelos pés durante os interrogatórios, outros foram vítimas de tortura”.
Mustafah Dhada, nascido em Moçambique, soube do massacre de Wiriamu da mesma forma que o resto do mundo, lendo o The Times de 10 de Julho de 1973. Lembra-se bem, eram 9h30, quando um colega lhe passou o jornal para as mãos. Tinha 22 anos, estava a estudar em Londres, tinha saído de Moçambique em 1964 depois de ter sido classificado pelas autoridades portuguesas como “não assimilado”. De uma família pobre, o pai era mecânico. No seu país conta que conseguiu estudar da única forma que havia disponível na Moçambique portuguesa, num seminário católico, onde ele e um outro rapaz negro eram os únicos não brancos.

Em Londres, onde chegou apenas a saber falar português e francês, leu o artigo e pensou como a vida em Wiriamu deveria ser tão parecida com a de Búzi, a sua aldeia, e como Wiriamu podia ter sido Búzi. À distância, protegido, sentiu culpa e responsabilidade. Prometeu que se haveria de doutorar na Universidade de Oxford e a sua tese haveria de ser sobre Wiriamu. Não foi assim. Haveria de fazer a sua tese em Oxford em 1987 mas seria sobre Amílcar Cabral e a guerra da libertação da Guiné-Bissau.
jornal notícias de maputo

Cineasta angolano filma em Moçambique

 
O cineasta angolano Zezé Gamboa está a preparar mais uma obra, depois de “O Grande Kilapy”, desta vez em Moçambique.  Rui Simões, um dos produtores, disse que a obra já tem financiamento para a preparação e escrita.

Trata-se de uma obra de ficção, avançou, baseada na história real de um antigo diplomata francês em Maputo que se acidentou de mota, numa viagem com a sua namorada a caminho de Inhambane.
“Eles ficaram um bocado perdidos e depois vieram as inseguranças e incompreensões, num filme sobre a relação com o outro, com dois personagens fortes, dois actores franceses que esperamos que sejam bastante importantes”, indicou o realizador. O título do filme não foi revelado.

O filme de Zezé Gamboa é um dos três projectos que Rui Simões desenvolve neste momento em Moçambique. O realizador aproveitou a estadia no país, onde participou num festival de cinema, para avançar no registo documental da sua obra “A Casa”, sobre os antigos estudantes da Casa dos Estudantes do Império, que este ano comemora cinco décadas, e por onde passaram alguns dos principais opositores africanos ao colonialismo português.

O terceiro projecto é o filme do moçambicano Sol de Carvalho, que se encontra ainda em fase de discussão e deverá abordar a guerra, não a luta anticolonial ou o conflito interno em Moçambique, mas uma abordagem mais geral a este tema e em particular a reinserção dos combatentes na sociedade mais os seus traumas.

Perfil do cineasta


José Augusto Octávio Gamboa dos Passos, conhecido como Zezé Gamboa, é um cineasta e engenheiro de som. Nasceu em Luanda em 31 de Outubro de 1955. Entre 1974 e 1980 dirigiu os programas noticiários da Televisão Pública de Angola. Partiu para Paris onde em 1984 se formou como engenheiro de som. Em seguida, trabalhou principalmente no cinema de Portugal, em filmes como “Balada da Praia dos Cães” (de José Fonseca e Costa, 1987) ou “Terra Estrangeira” (de Walter Salles e Daniela Thomas, 1996).


Estreou-se na realização com a curta-metragem “Mopiopio”, um documentário realizado em 1991. Seguiram-se alguns documentários e curtas-metragens. Em 2004 realizou o filme “O Herói”, que lançou o nome do realizador no mundo do cinema de autor. O filme foi apresentado em vários festivais internacionais onde ganhou diversos prémios, entre eles a categoria World Dramatic Competition do Festival de Sundance 2005, o prémio do público no festival de cinema de Nantes 2004, e o prémio de melhor filme no Pan-African Film Festival de Los Angeles.

Zezé Gamboa é desde então considerado internacionalmente uma referência do cinema angolano. O seu filme “O Grande Kilapy”, de 2012, foi nomeado em Portugal para Melhor Filme nos Globos de Ouro de 2015 e nos Prémios Sophia. Passou por vários festivais internacionais, entre eles o Festival Internacional de Cinema de Toronto e o Festival Internacional de Cinema do Dubai. Em Portugal, ganhou prémios no festival dos Caminhos do Cinema Português em Coimbra, e no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa em Lisboa.

jornal de angola

Criada fundação cultural José Craveirinha

 
O Governo moçambicano aprovou uma resolução que autoriza a criação da Fundação José Craveirinha, em homenagem ao malogrado poeta com mesmo nome, como pessoa colectiva com personalidade jurídica.
A fundação é reconhecida como pessoa colectiva, sem fins lucrativos, que tem por finalidade realizar, promover e patrocinar acções de carácter cultural, científico educativo nos domínios literatura, desporto, educação.
O anúncio da criação da Fundação José Craveirinha, Prémio Camões em 1991, foi feito pelo porta-voz do Governo e vice-ministro da Saúde, Mouzinho Saíde, depois da 42.ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, em Maputo.
“O Governo aprovou a resolução que reconhece à Fundação José Craveirinha a qualidade de sujeito de direito com responsabilidade jurídica”, disse Mouzinho Saíde, acrescentando que as actividades enumeradas deste organismo terão especial enfoque para a juventude.
Explicou que, essencialmente, essa fundação é reconhecida a autorização para a promoção e patrocínio de actividades de caracter cultural, científico e educativo nos domínios da literatura, desporto e educação.
Falecido a 6 de fevereiro de 2003, aos 80 anos de idade, José Craveirinha foi o primeiro escritor moçambicano e africano a ganhar o Prémio Camões, em 1991, o maior e mais importante galardão literário de língua portuguesa.
José Craveirinha nasceu no bairro da Mafalala, em Maputo, a 28 de Maio de 1922. No seu percurso trabalhou como jornalista nos periódicos moçambicanos “O Brado Africano”, “Notícias”, “Tribuna”, “Notícias da Tarde”, “Voz de Moçambique”, “Notícias da Beira”, “Diário de Moçambique” e “Voz Africana”.
Como escritor e poeta usou diversos pseudónimos, entre os quais Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo e Abílio Cossa.
Foi o primeiro presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, entre 1982 e 1987. Em sua homenagem, a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), em parceria com a Hidroeléctrica Cahora Bassa (HCB), instituiu em 2003, o Prémio José Craveirinha de Literatura.
Entre os livros que publicou destacam-se “Xigubo”, “Cantico a un dio di Catrame” “Karingana ua Karingana”, “Cela 1”, “Maria” e “Izbranoe”, que lhe valeram vários prémios como o Cidade de Lourenço Marques (1959), Reinaldo Ferreira do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961), de Ensaio do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961),

Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, (1962), Nacional de Poesia de Itália (1975), Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos (1983), Medalha Nachingwea do Governo de Moçambique (1985), entre outros.
jornal notícias